Como as escolas de São Paulo driblam a crise hídrica

Como as escolas de São Paulo driblam a crise hídrica

Marina Ribeiro e Bruno Calixto


Janeiro chegou ao fim e, com ele, as férias escolares. Em São Paulo, muitas escolas retomam as aulas em meio a uma grave crise hídrica, em que bairros passam até 18 horas por dia sem água. Para não sofrer com a situação (e se preparar para caso ela piore), as instituições buscam reduzir o consumo e reutilizar a água para manter as aulas, mesmo que a seca perdure.

A Escola Internacional de Alphaville, em Barueri, na Grande São Paulo, investiu na captação de água de chuva com seis novas caixas d’água que podem armazenar 80 mil litros de água pluvial para abastecer os 72 vasos sanitários e colaborar com a limpeza do colégio. Além disso, as 115 torneiras dos banheiros foram substituídas por outras que regulam a vazão da água, o que gerou uma economia de até 60% nos lavatórios. Com 710 alunos em período semi-integral (com aula das 8h às 15h), os banhos depois das aulas de educação física e prática de esportes foram suspensos também para economizar. As medidas funcionaram. “Na primeira semana de aula foi possível notar uma economia de 8 mil litros por dia”, afirma Ricardo Chioccarello, gestor da escola.

Já o colégio Mary Ward, da zona leste, decidiu não só captar a água de chuva como também tratá-la para que possa ser usada nas pias do colégio, ainda que não seja possível o consumo humano. Com as três cisternas, 90 mil litros de água pluvial poderão ser armazenados, além da caixa d’água que já tem capacidade para abastecer o consumo de duas mil pessoas – o dobro do número de alunos atualmente matriculados. “Gastamos cerca de R$ 300 mil na obra e, por ser um gasto imprevisto e muito elevado, precisamos contar com a ajuda da congregação religiosa que dirige a escola para que fosse viável”, diz César Marconi, diretor pedagógico da escola.

No colégio Humboldt, na zona sul da capital, foi criada uma comissão de pais, professores e funcionários para estudar alternativas para economizar água. A escola estuda instalar outra caixa d’água e cisterna para armazenar a água de chuva, mas já começa a controlar mesmo antes do início das obras. Nos banheiros masculinos, por exemplo, os mictórios ganharam pedras de gelo. Assim, evita-se o mau cheiro e dispensa-se a água corrente da estrutura, já que o gelo, em contato com a urina quente, derrete e ajuda a levar o líquido para o esgoto. “Notamos que uma (pedra) do tamanho de uma caixa de sorvete dura uma manhã toda, o que já ajuda a economizar e conscientizar”, afirma o diretor-geral, Everton Augustin.

Escolas públicas

Na rede estadual, as escolas que ainda não têm capacidade de armazenar água também receberão novos equipamentos. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Educação, a rede está sendo mapeada para detectar as ausências na estrutura. Além disso, as cinco mil escolas terão uma linha direta com a secretaria para comunicar o desabastecimento de água à Sabesp, que se comprometeu a responder imediatamente com soluções para que as aulas continuem, seja enviando um caminhão-pipa, seja aumentando a pressão da região.

Já a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo espera que o abastecimento da Sabesp privilegie escolas, assim como hospitais, mesmo em casos de rodízio. Em reunião com o prefeito Fernando Haddad (PT) e demais prefeitos da região metropolitana, na semana passada, o secretário estadual de Recursos Hídricos, Benedito Braga, garantiu apresentar em até 10 dias um plano de contigência que atenda tais estruturas.

Universidades

As universidades públicas também estão se preparando para lidar com a crise. Um grupo de sete universidades de São Paulo anunciou nesta terça-feira (3) a criação de um painel para estudar e apresentar soluções e informações sobre a crise hídrica. Apesar de os planos não serem definitivos, a suspensão de aula é cogitada se houver racionamento. A maior preocupação, no entanto, não é com o ensino, mas com o abastecimento dos hospitais universitários. Segundo a reitora da Unifesp, Soraya Smaili, “nossa maior preocupação é com os hospitais. Estamos fazendo todos os diagnósticos e obras possíveis para garantir o atendimento à população”.

Você está sofrendo com a falta de água na escola? Conta para a gente! Manda um e-mail para [email protected] com o assunto “FALTA ÁGUA NA ESCOLA”.

Fonte: Época