Brasil melhora IDH, mas segue atrás de países vizinhos

Brasil melhora IDH, mas segue atrás de países vizinhos

Rubens Chueire Jr.

O Brasil subiu uma posição no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) divulgado ontem pela Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O País passou da 80ª para a 79ª posição entre 187 países. Levou-se em conta três pontos analisados: expectativa de vida, educação (média de anos de estudo e anos esperados de escolaridade) e renda per capita. A escala vai de 0 a 1 e, quanto mais próximo de 1, melhor o desempenho do país.

O IDH nacional passou de 0,742 em 2012 para 0,744 no ano passado. O índice é maior do que a média registrada na América Latina e Caribe (0,740), mas ainda fica atrás de vários países da região. Conforme o estudo, os mais bem classificados foram Chile (41º, com nota de 0,822), Cuba (44º, com 0,815) e Argentina (49º, com 0,808), considerados com grau muito alto de desenvolvimento. O Brasil ainda fica atrás de Uruguai (50º, com 0,790), Barbados (59º, com 0,776), Antígua e Barbuda (61º, com 0,774), Trinidad e Tobago (64º, com 0,766), Panamá (65º, com 0,765), Venezuela (67º, com 0,764), Costa Rica (68º, com 0,763), México (71º, com 0,756) e São Cristóvão e Nevis (73º, com 0,750).

Entre os Brics, grupo que reúne as cinco principais economias emergentes do mundo, o Brasil teve o segundo melhor desempenho, atrás apenas da Rússia (57º, com nota 0,778). Com IDH de 0,719, a China ficou na 91ª posição; a África do Sul em 118º, com nota de 0,658; e a Índia, em 135º, com IDH de 0,586.

O relatório deste ano apontou que a expectativa de vida dos brasileiros é de 73,9 anos; a média de escolaridade entre os adultos é de 7,2 anos; a expectativa de tempo de estudo é de 15,2 anos; e a renda nacional anual é de US$ 14.275 (aproximadamente R$ 31.697 com o câmbio atual). Com estes números o Brasil está no grupo de países com desenvolvimento alto (0,700 a 0,799) – existem faixas de muito alto (0,800 a 1); médio (0,550 a 0,699) e baixo (0,000 a 0,449). A Noruega foi o país com o maior IDH em 2013, com índice de 0,944; seguida de Austrália (0,933), Suíça (0,917) e Holanda (0,915).

Análise
Solange Fernandes, doutora e professora do curso de Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), avalia que o aumento da renda per capita das famílias nos últimos anos, principalmente com a implantação de programas sociais, contribuiu para esta evolução do IDH. “Sem dúvida observou-se uma diminuição das pessoas que viviam abaixo da linha de pobreza e, consequentemente, esta fatia da população conseguiu ter acesso a melhores condições de saúde e educação, então uma coisa puxou a outra”, afirmou.

Entretanto, ressalta ela, ainda há muita coisa a ser feita. Solange aponta que justamente por ter ocorrido esta mudança de consumo e de comportamento de boa parcela da população, o poder público precisa repensar em que setores deve investir para oferecer melhores condições de vida. “Os resultados das políticas aplicadas anos atrás começam a dar resultado, mas para realmente vermos um avanço efetivo precisamos de mais investimento por pelo menos mais 20 anos”, completou.

Para Ricardo Falzetta, gerente de conteúdo do Todos pela Educação, duas conquistas foram fundamentais para que ocorresse um desenvolvimento da educação nos últimos anos. Ele ressalta que a divulgação de informações e de dados sobre o assunto no País cresceu muito nos últimos 20 anos, o que faz com que, desta forma, se possa pensar em novas políticas públicas a serem implementadas. “Antes era muito complicado ter acesso a números sobre a educação, não existiam pesquisas sobre o tema. Sabíamos que existiam problemas, mas não conseguíamos identificá-los. Agora estes dados podem ser usados como ferramentas para investimentos mais efetivos”, ressaltou. Outro ponto destacado por Falzetta foi a aprovação e sanção do Plano Nacional de Educação (PNE) no mês de junho, que prevê 20 metas a serem implantadas nos próximos dez anos.

Fonte: Folha Web