Brasil deve ter currículo de padrão internacional, avalia especialista

Brasil deve ter currículo de padrão internacional, avalia especialista

Elton Lyrio

Em um momento em que o país discute a implantação de sua primeira Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a mestre em educação e comentarista da Rádio CBN Ilona Becskeházy defende que o país deve aproveitar e fazer um currículo de padrão internacional.

Neste domingo (19), o jornal A Gazeta mostrou que crianças saem da fase de alfabetização na escola sem saber ler, escrever e contar. Um problema que elas levam por toda a vida. Segundo Ilona, o próximo passo para mudar a educação no Brasil é o currículo.

Ilona destaca que um currículo internacional colocaria expectativas claras. “Você tem que ter o currículo dizendo que o aluno vai ler com compreensão 60 palavras por minuto de um texto de padrão x para idade dele com seis anos, com sete anos. E ainda que o aluno vai saber contar até 100 com seis anos. Precisamos disso e de rigor. É aos seis e não aos sete”, diz.

Para Ilona, a elaboração da Base Nacional Comum é uma oportunidade para isso. “É fazer uma versão final para ser apresentada ao Conselho Nacional de Educação que seja de padrão internacional. Até agora, o que se fez é muito ruim. Muito frágil. A segunda versão teve uma tentativa melhor de organizar, mas com base numa equipe que não tem experiência e não tem competência”, critica.

Segundo Ilona, o próximo passo para mudar a educação no Brasil é o currículo

Para ela é preciso rearranjar o documento que se tem hoje na Base inteiro para ter padrão internacional. “Não sei se vai ter a coragem política por isso”, diz.

OPORTUNIDADE

Segundo Ilona, há a oportunidade política de implantar um currículo internacional, embora, em sua análise, a proposta deve enfrentar resistência. Isso porque tende a fazer uma série de regulamentações na formação docente, nos objetivos e na seleção dos professores, que, de acordo com ela, desagradariam sindicatos, partidos e academia por questões ideológicas.

“A gente precisa encarar as questões de frente e não ficar intimidado por um achaque intelectual de pessoas que não querem o currículo internacional. Não podemos ter medo de encarar”, alerta.

Para Ilona, uma das coisas que o currículo precisa corrigir é a expectativa de alfabetização somente aos oito anos. “É uma expectativa imoral. Quem negociou isso no Congresso tem filhos na escola privada e colocou essa expectativa para o pobre. Eu conheço todos eles. Quem está na escola privada aprende a ler muito cedo, com seis anos com tranquilidade”, diz.

PNE PODE TER PREJUÍZOS COM CORTES

A lei que determina o que União, Estados e municípios têm de fazer pela educação até o ano de 2024 pode acabar prejudicada com os cortes nos recursos da educação. É o que avalia a coordenadora-geral do Todos pela Educação, Alejandra Meraz Velasco.

“Sem dúvida deve afetar a capacidade de expansão. Quando o teto dos gastos atinge a educação, o que a gente no fundo está declarando é que vamos manter a situação como está. No Brasil, ainda se gasta pouco por aluno”, diz.

Alejandra destaca que os especialistas apontam a possibilidade de fazer outros tipos de contenção. “São medidas que têm custo político mais alto. Criança não vota e os pais não tem um instrumento adequado para medir a qualidade. Teria que estar na frente dos cortes em educação a reforma previdenciária, a tributária e a revisão de renúncias fiscais”.

Fonte e imagem: A Gazeta