Atraso no Pronatec preocupa escolas e estudantes

Atraso no Pronatec preocupa escolas e estudantes

Inaê Miranda

O início das aulas de novas turmas do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) — que oferece cursos técnicos gratuitos — foi adiado em mais de um mês pelo governo federal por problemas no orçamento. A quantidade de vagas ofertadas por instituição seria divulgada na segunda-feira (2), mas foi transferida para o dia 13 de abril. Já o começo das aulas passou do dia 7 de maio para 17 de junho.

A alteração no cronograma é vista como um problema para as escolas e para os alunos, que buscam no ensino técnico uma forma mais rápida de serem inseridos no mercado de trabalho.

Aos dirigentes das escolas, o Ministério da Educação informou que o atraso se deve à não validação do orçamento plurianual — com esse atraso, o governo não tinha a dotação orçamentária definitiva, segundo afirmou Luís de Sá, diretor de Ensino Técnico do Ceketec Objetivo.

Além de adiar a divulgação da quantidade de vagas por instituição e o início das aulas para o dia 17 de junho, o cronograma estabelece uma data limite para início das aulas, que é 10 de julho. A escola que não iniciar as atividades nesse intervalo — 17 de junho a 10 de julho — pode ter problemas já que a data é fixada em edital.

Com isso, as instituições particulares esbarram na convenção sindical do sindicato dos professores, que obriga as escolas a darem férias para o professor em julho, segundo Sá.

“Se iniciarmos as aulas no dia 17 de julho, o aluno só terá 13 dias de aula, entra em férias e retorna em agosto. Mesmo que quiséssemos começar as aulas só em agosto para que não haja essa interrupção, nós teríamos problemas com o MEC. Isso dificulta bastante para a gente. Como vamos planejar o professor para dar 13 dias de aulas? E como você começa um conteúdo em 13 dias e na sequência para um mês?”, questiona o diretor.

Além de problemas com o Pronatec, as escolas particulares que oferecem o ensino técnico em São Paulo também vêm enfrentando problemas com o Vence, programa do governo estadual que teve as vagas reduzidas pela metade no início do ano — embora o governo negue — e o início das atividades adiado para março.

“O Vence também está parado. A previsão de início das aulas é para a segunda quinzena de março”, afirmou Luís de Sá.

A escola oferece 854 vagas. Mais de 90% delas é destinada ao Pronatec e ao Vence. Neste ano, a escola está ativa apenas por conta de alunos remanescentes de anos anteriores, já que não houve inserção de alunos novos até o momento.

“Infelizmente nos tornamos dependentes do governo por conta da demanda. Como um aluno vai pagar um curso técnico se o governo oferece de graça?”, questiona. “Hoje quem não está credenciado ao Vence ou ao Pronatec está passando graves problemas. Algumas escolas em Campinas já fecharam as portas. Ou você migra ou está fora do mercado.”

Natália Gama, de 30 anos, está pré-inscrita no Pronatec para cursar o técnico em enfermagem. Desempregada, ela busca na formação ingressar mais rápido no mercado de trabalho.

“O curso é para eu ter uma profissão que considero boa e começar a trabalhar o mais breve possível. Mas o adiamento desanima, ainda mais na minha idade. O curso que seria para durar um ano e oito meses vai levar mais de dois anos por causa dessa prorrogação. Isso é tempo que a gente perde. Vamos ver se eles vão cumprir o novo prazo, porque não dá mais para confiar.”

Em nota, o MEC informou que está finalizando a pactuação de vagas com os ofertantes e em breve divulgará mais informações. O MEC informou ainda que aguarda aprovação orçamentária.

Fonte: Grupo RAC de Comunicação