Aplicativo conecta alfabetização e tecnologia

Aplicativo conecta alfabetização e tecnologia

Campinas – Inconformado e indignado com o alto índice de evasão escolar no programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA), o professor e matemático José Luís Poli trabalhou por dois anos na idealização do projeto Palma – Programa de Alfabetização na Língua Materna.

O programa torna a alfabetização mais atraente e contextualizada à tecnologia. O aplicativo, criado para dispositivos Android e que combina letras, imagens e áudios em atividades autoinstrucionais, tem por objetivo desenvolver, por meio digital, habilidades de leitura, escrita e compreensão de pequenos textos, tanto em crianças, quanto em adultos em processo de aprendizagem do ler e do escrever.

No Brasil, existem 14 milhões de analfabetos plenos e 27 milhões de analfabetos funcionais, o que resulta em 25% da população brasileira. Os números são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“A minha empresa é constituída por doutores em educação, analistas de sistemas e designers digitais. Esse grupo é que desenvolveu toda a modelagem pedagógica. Os designers fizeram todos os desenhos e jogos e os funcionários que trabalham com análise de sistemas desenvolveram o aplicativo na linguagem Android”, explica José, cofundador da Instituição de Ensino Superior Anhanguera Educacional e diretor da ies2-Inovação, Educação e Soluções Tecnológicas Ltda.

Em Itatiba, uma das cidades onde o projeto-piloto do aplicativo foi testado no ensino fundamental I e nas turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA), os professores da rede constataram uma melhora de 30% no aprendizado e redução de 50% na evasão em um ano de uso. “A motivação dos alunos é notada pela satisfação que demonstram em utilizar uma tecnologia, de que muitos só tinham ouvido falar, algo de que os adolescentes e jovens gostam. Houve aumento de motivação também entre os discentes em relação à aprendizagem”, diz Fatima Polesi Lukjanenko, secretária municipal de Educação de Itatiba.

O aplicativo está estruturado em cinco níveis, que vão desde a apresentação da grafia e som das letras do alfabeto até a compreensão de frases e pequenos textos. Cada nível está organizado em módulos de conteúdos que possuem atividades de aprendizagem e de fixação de conteúdo. Todas atividades possuem comandos que orientam o aluno no que deve ser realizado. Além disso, há atividades de caligrafia e jogos para integrar os conteúdos e, ao final, uma avaliação de nível. Ao término das atividades o aluno recebe uma nota que fica guardada na área administrativa do aplicativo, onde o professor pode acompanhar o desempenho do aluno. “Quando você leva essa tecnologia para a sala de aula, o aluno vai todo dia para a sala de aula, então você derruba a evasão escolar e a criança passa a gostar porque a aula do professor subiu um degrau. Ele trouxe tecnologia para a sala de aula. A tecnologia que a criança já vê a mãe usar, o pai e o irmão. A criança gosta. Fica lá 40 a 50 minutos com os joguinhos e aí a retenção da aprendizagem é muito grande. No caso do adulto, ele usa quando vai para casa. Vai fazendo a lição no ônibus e ninguém percebe que ele está na lição de leitura, de escrita, às vezes até de caligrafia no próprio telefone”, conclui Fatima.

Milton Paes

Fonte: DCI