Apagão bate à porta das escolas

Apagão bate à porta das escolas

Johnatan Castro

Em poucos anos o Brasil poderá viver um apagão de professores, e a causa, na visão de especialistas, está ligada à desvalorização da carreira. Quem faz o prognóstico é o secretário de assuntos educacionais da Confederação Nacional de Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Araújo Filho. Ele destaca que profissionais que fazem cursos que formam professores, como química, letras e educação física, já preferem se dedicar a outras atividades que passam longe da sala de aula.

“Temos queixas de muitos secretários de Estado dizendo que há um grande número de afastamentos e de licenciamentos. Em áreas como química, os profissionais preferem trabalhar em laboratórios. Na educação física, eles vão para as academias, atuar como personal trainers”, explica.

Em 2014, 427 professores foram exonerados do quadro da rede estadual, e outros 1.597 processos estão em análise, atualmente. Fora as 1.499 exonerações em 2013 e 1.144 em 2012.

Araújo Filho ainda destaca que a procura por cursos de licenciatura cresceu em disciplinas como pedagogia, muito em função do aumento de faculdades com esse curso pelo país, e diminuiu em áreas como matemática e física. “Mas esse crescimento da matrícula não tem a mesma quantidade da conclusão, que é bem menor”, salienta.

Ele reconhece que, por terem um nível salarial bem maior, outras carreiras públicas acabam concentrando também os profissionais mais capacitados. Embora não seja regra, segundo o especialista, em alguns casos os cursos de licenciatura atraem candidatos com pior desempenho no vestibular e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Diferenças históricas

Consultor em educação e professor do Instituto de Tecnologia do Centro Universitário Una, Dênio Mágno da Cunha lembra que o prejuízo aos professores e profissionais públicos de setores como a saúde começou ainda na época do Brasil Império. “Quando nós começamos como país, precisávamos muito mais de magistrados do que de profissionais de saúde e de educação. Isso trouxe uma desvantagem para essas e outras áreas”, avalia. Mágno lembra que, no Brasil Império, a educação ficava a cargo dos jesuítas. “O mesmo acontecia com a saúde, que era dever das santas casas de misericórdia. O Estado não se preocupava com a saúde e a educação”, diz.

Plano nacional

Objetivo. A meta 17 do Plano Nacional de Educação, aprovado em 2014, prevê valorização dos profissionais do magistério e equiparação dos seus salários com outros profissionais em seis anos.

Fonte: O Tempo