A urgência de enfrentar os gargalos do ensino médio

A urgência de enfrentar os gargalos do ensino médio

A Educação no Brasil tem demandas a enfrentar em todos os ciclos de aprendizagem. Mesmo no ensino fundamental, onde, principalmente nos primeiros anos, as taxas de aproveitamento escolar são mais positivas, há problemas a ultrapassar. Nas gestões de Fernando Henrique e, após um período de estagnação, no segundo governo de Lula registraram-se avanços significativos, via Fundeb e a fixação de metas a alcançar. Mas as conquistas iniciais não evoluíram como era esperado, ou o fizeram de forma vagarosa.

Em 2013, por exemplo, esperava-se que 95,4% de crianças e jovens entre 4 a 17 anos estivessem na escola; o índice, no entanto, ficou em 93,6%. Isso correspondia a 500 mil alunos fora das salas de aula. Não há evidências de que, desde então, esse perfil tenha melhorado.

Se esse é um dado desalentador, no ensino médio o gargalo assusta ainda mais. Por qualquer viés que se analise a performance do Brasil nesse nível do ensino, o país sai mal na foto. Desde o desempenho pífio de alunos no teste Pisa, que avalia, no âmbito de países da OCDE, conhecimentos de adolescentes em leitura, matemática e ciências, até as avaliações do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), o que se vê é um retrato preocupante do ensino na fase em que o jovem se vê diante das portas do futuro.

Os números justificam as preocupações. Estatísticas mostram que apenas 55,3% dos jovens de 15 a 17 anos estão no ensino médio. Entre 2011 e 2013, o Ideb mostrou que o desempenho nesse ciclo da formação escolar do país caiu em 13 estados. Mesmo o Enem, que deveria ser um instrumento para, além de abrir as portas da Universidade, medir a proficiência do estudante, acaba estimulando nas escolas o recurso a pedaladas que driblam o termômetro pedagógico, em nome de um marketing sob medida para se obter melhores posições no ranking de aprovados.

De tal forma o ensino médio está dissociado da realidade do ensino que apenas 17% dos jovens que concluem esse ciclo chegam à Universidade. Cerca de 40% sequer tentam passar no Enem. Ao menos, o país busca saídas para esses gargalos. As discussões da Base Nacional Curricular Comum são um estímulo. A elaboração de um currículo nacional mínimo movimenta a comunidade acadêmica e educacional em torno de propostas para superar os nós da mediocrização do ensino médio.

Nesse movimento, são importantes iniciativas como a recente manifestação de secretários de Educação. Entre suas propostas, a adoção de um sistema de créditos e módulos, a exemplo do que é adotado no ensino superior. Também a flexibilização na trajetória do aluno, dando-lhes a opção de se aprofundar em áreas de seu interesse ou em cursos profissionalizantes.

São ideias a serem debatidas. O crucial é que se removam os obstáculos que impedem o desenvolvimento do ensino médio no país. Sem isso, cai o rendimento no ensino superior.

Fonte: O Globo