6ª ONHB: Emoção e alegria marcam premiação

6ª ONHB: Emoção e alegria marcam premiação

No último final de semana, 16 e 17 de agosto, a Unicamp foi inundada pela energia contagiante de estudantes e professores convocados para a final da 6ª edição da Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB), organizada pelo Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Vindas de todos os estados brasileiros, as 307 equipes finalistas cobriram todo o Prédio Básico com as cores do evento e as bandeiras de suas unidades federativas, durante a realização da Fase Final presencial, no sábado, 16.

Enquanto os alunos realizavam a prova, seus orientadores participaram de um caloroso debate sobre os 50 anos da ditadura brasileira, completados em 2014. Através do documentário “Verdade 12.528” e com a presença de seus diretores e roteiristas, Paula Sacchetta e Peu Robles, os professores puderam discutir as circunstâncias do estudo deste período do Brasil, as diferentes abordagens históricas e a necessidade de se tocar neste tema tão delicado. Após as atividades programadas, as equipes puderam descansar e conhecer a cidade, aguardando ansiosamente a premiação na manhã seguinte.

A cerimônia de premiação, que aconteceu no domingo, 17, no Ginásio Multidisciplinar da Unicamp (GMU), superou as expectativas dos participantes do evento e contou com a presença de mais de 2.000 pessoas. Ainda ansiosos e cheios de energia, os finalistas foram recebidos com muita festa pela Comissão Organizadora e pela banda Lester Bangs, que ‘sacudiu’ o GMU com um show temático abordando a história do rock de 1960 até os dias de hoje. Após o show, iniciou-se a cerimônia de premiação, que concedeu 75 medalhas para os melhores colocados, sendo 35 de bronze, 25 de prata e 15 de ouro, além de troféus para as 35 melhores escolas.

Em discurso, a coordenadora da ONHB, professora Cristina Meneguello, emocionou todos os presentes com uma linda homenagem ao grande educador Rubem Alves, falecido no último dia 19. Alves, que defendia que o ofício do professor é uma arte, devendo ser exercido com paixão, foi citado pela coordenadora a fim de destacar o papel dos mestres na formação social de seus estudantes e a marca indelével que um grande educador pode deixar na vida destes.

A pró-reitora de Desenvolvimento Universitário da Unicamp, Teresa Adib Zambon Atvars, relembrou a importância da educação para a construção de um país mais consciente e discursou descontraidamente para os finalistas, que riram bastante de sua presença de espírito ao brincar com sua formação em química.

O historiador Rodrigo Patto Sá Motta, presidente da Associação Nacional de Professores de História (ANPUH), parabenizou publicamente a Unicamp e as coordenadoras Cristina Meneguello e Leca Pedro, destacando a originalidade da ONHB e a importância de iniciativas como esta para a educação nacional. “É um evento completo e uma das olimpíadas mais relevantes de nosso país”, comentou.

A mesa de convidados também contou com as presenças do professor João Frederico da Costa Azevedo Meyer (Pró-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários), da professora Rachel Meneguello (Pró-reitora de Pós-Graduação e membro da Comissão de Assuntos Interdisciplinares), do professor José Alves Freitas Neto (coordenador do curso de graduação em História do IFCH) e da professora Silvana Barbosa Rubino (coordenadora do curso de pós-graduação em História doIFCH), além da coordenadora-adjunta da ONHB, Leca Pedro.

Representando os professores participantes desta 6ª edição, Ricardo Behrens (Bahia) discursou e reiterou a relevância da olimpíada como instrumento provocativo á construção do conhecimento histórico. Behrens mencionou que a ONHB é uma experiência marcante para todos que participam, especialmente para os alunos, que têm a oportunidade de entrar em contato com os ricos materiais de pesquisa, oferecidos a cada fase. O docente também não deixou de tocar no fato que a ONHB, por ser um evento nacional, promove um importante “intercâmbio cultural” entre os participantes, se emocionando ao falar da amizade construída com representantes de outros estados e ao relatar o encontro das equipes da Bahia e do Mato Grosso na 5ª edição: “Misturamos um pouco de dendê com mate e ganhamos uma nova família do outro lado do país”, brincou.

Após o discurso dos convidados, iniciou-se a distribuição das medalhas para as equipes melhores colocadas. Dentre os estados premiados, São Paulo e Rio Grande do Norte foram os grandes medalhistas, levando para casa 28 e 12 medalhas, respectivamente. São Paulo recebeu 12 medalhas de bronze, 8 de prata e 8 de ouro. Uma delas, inclusive, foi a única medalha recebida pela cidade de Campinas, o ouro da Equipe “Os Engenheiros da História”, do Instituto Educacional Imaculada. Rio Grande do Norte conquistou 7 medalhas de bronze, 3 de prata e 3 de ouro, sendo a maioria para a cidade de Mossoró, que já é uma medalhista tradicional da ONHB.

Além de São Paulo e Rio Grande do Norte, outros estados medalhistas geraram comemoração de toda a plateia ao serem convocados para receber suas medalhas. Quando foi anunciada a medalha de bronze do Acre, a única recebida pelo estado nesta edição, a arquibancada vibrava gritando “O Acre existe, o Acre existe!”, brincando com a fama do estado. Quando a equipe “Heródotus”, do Colégio Dom Henrique Ruth (Cruzeiro do Sul (AC) desceu para receber suas medalhas, foi ovacionada pelos colegas e seus integrantes cumprimentaram a mesa muito emocionados.

Outras medalhas que causaram grande comoção na plateia foram os dois bronzes conquistados pelo Maranhão, com as equipes “Histourados” e “Honoráveis Reprimidos”, de São Luís. O estado do Maranhão classificou quatro professores e 52 alunos para a última fase. Os participantes decidiram vir juntos, de ônibus, em uma jornada que começou às 7 horas da quarta-feira, 13, e só terminou às 7 do sábado, 16, quando as equipes chegaram para a fase final. A aventura dos maranhenses e sua alegria e energia contagiaram a todos os finalistas, que vibraram e se emocionaram junto com os colegas do outro estado.

Ao final da premiação, a banda Lester Bangs voltou para encerrar esta edição com chave de ouro, enquanto os olímpicos dançavam e cantavam aproveitando os últimos minutos com seus colegas de todo Brasil, já contando os dias para a 7ª edição, que se dará em 2015. “A educação no Brasil precisa de inciativas que possam oferecer aos estudantes visões diversas de nossa História, que possam aflorar o senso crítico dos jovens “, disse a professora Ana Maria Bressan, do Colégio Pedro Segundo, do Rio de janeiro, medalha em prata nesta edição com a equipe “É tudo ou nada”.

Iniciada em maio deste ano, a ONHB recebeu mais de 40 mil inscrições de estudantes e professores de todo país. Após três meses de muita expectativa e dedicação, a entrega das medalhas e dos troféus consagra todo o esforço empreendido ao longo desta edição. Depois de passarem por todas as fases, com muita pesquisa e debates, os finalistas lavaram a alma em uma catártica e emocionante cerimônia que, com certeza, jamais será esquecida pelos seus participantes.

Fonte: Unicamp