Teoria U propõe diálogo e escuta para quebra de paradigma

Teoria U propõe diálogo e escuta para quebra de paradigma

(Por Laura Gonçalves Sucena)

Resgatar a humanidade para se abrir com coragem para o mundo. Assim a Teoria U foi descrita pelo consultor em inovação social e desenvolvimento humano, César Matsumoto, durante o último evento da 8ª Semana da Educação de Campinas. Durante a palestra “Para transformar a educação: Teoria U”, o consultor falou sobre a ferramenta de inovação social que auxilia a implementação de mudanças por meio de alterações de mentalidade e consciência.

Elaborada por pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology – MIT, a Teoria U tem como objetivo promover transformação profunda em grandes sistemas.

A ideia é trazer um olhar diferenciado, gerenciar mudanças, otimizar soluções e aumentar a produtividade. “É um movimento de desacelerar para entender o problema complexo e, desta forma, prototipar ideias, identificar caminhos e inovar na forma de se relacionar com o mundo”, explicou Matsumoto.

Objetivando conectar indivíduos na sociedade, a metodologia propõe a visão do problema representado no formato de “U”. Para percorrer esse caminho e chegar a uma possível resolução é preciso ter mente, coração e vontade abertos.

“Nós somos acostumados a ter respostas para todas as perguntas e também não somos bons ouvintes. Para problemas complicados, existem soluções técnicas. Porém, para os problemas complexos, há várias causas e consequências. Isso exige quebra de paradigma e jeito de pensar diferenciados. A Teoria U propõe essa mudança de paradigma”, falou o consultor.

Para Matsumoto, é normal que as pessoas se fechem para os problemas e isso causa uma cegueira que dificulta uma abertura para ver o outro. A base da teoria indica que quanto mais nos conectarmos autenticamente conosco, melhor tende a ser a qualidade de nossas intervenções. “Não adianta somente olhar. A qualidade da presença determina a qualidade da situação, a forma como olhamos o mundo. E precisamos de um mundo com mais consciência”, pontuou.

É preciso observar as coisas que acontecem ao nosso redor, levando em conta que o ato de fazer, de realizar uma ação, é consequência de um alinhamento de valores e sentimentos, com o potencial de ser altamente transformador se incorporado com a mente aberta a novos olhares. “Às vezes é mais fácil sair do problema e observá-lo. A nossa sabedoria sempre nos auxilia e quando identificamos o que fazer, chegou a hora de agir”, garantiu Matsumoto.

Nos movimentos que a Teoria oferece estão a observação (a descida do U), que tem como intenção que a pessoa se afaste do problema e olhe para ele de fora, de maneira significativa. Em seguida, a ideia é recuar e refletir para escutar o que as observações podem revelar sobre o futuro que quer emergir. E finalmente, é hora de agir rapidamente (a subida do U), explorando as possibilidades de futuro por meio da ação.

Ao agirmos devemos criar protótipos e testá-los, com o objetivo de verificarmos se a nossa intuição sobre o futuro que emerge se confirma.

Educação e suas complexidades

Para o superintendente socioeducativo da Fundação FEAC, Leandro Pinheiro, a Teoria U busca incidir sobre problemas complexos, a partir de um processo de diálogo e escuta qualificados. “Trazer um pouco desse conhecimento dentro da Semana da Educação é entender que esta abordagem tem grande potencial de contribuir com a melhoria da educação”, ressaltou.

Na educação, com sua complexidade, a ferramenta de inovação social propõe o pensamento interno de cada um. “A educação está no mundo e todos fazemos parte desse desafio. Estamos nos deparando com uma juventude nova, crianças novas, mentes novas e temos que aprender a lidar com isso. Como promover transformação em níveis profundos e real engajamento? Como responder aos desafios de nosso tempo?”, provocou Matsumoto.

A Teoria U propõe um caminho que nos permite entender o porquê que coletivamente criamos resultados que não queremos individualmente, como é o caso da Educação. “Todos querem uma educação de qualidade e nem sempre isso acontece. A proposta é que possamos nos preparar para agir, de maneira individual e coletiva, visando contribuir com um futuro positivo”, acrescentou.

O consultor também aproveitou a oportunidade e propôs aos participantes pensarem e dialogarem sobre o tema. Na pauta, a questão ‘Como percebemos o mundo que está morrendo e o que está nascendo na educação?’ despertou diálogos e atenção dos presentes.

Para a orientadora pedagógica Flávia Martins Guimarães, que participou do encontro, a ideia do educar associada ao pensar, ao sentir e ao querer, é o nascer de uma nova educação. “A Teoria U veio complementar meu pensamento e minhas crenças. O que temos hoje, o acesso ao conhecimento antigo, não basta. Se não associarmos vontade, sentimento e pensamento não é possível humanizar a educação. Creio que a teoria pode nos ajudar enquanto seres humanos, a lidar com essa complexidade que é humanizar o outro. Não esperava ouvir tudo isso hoje, foi surpreendente”, avaliou.

A aluna de pedagogia Cintia Machado também ficou surpresa com os conceitos discutidos. “Aprendi muito com a palestra de hoje e acredito que essa ferramenta social pode agregar conhecimento e valor à didática. Trazer a observação como ponto principal para o problema, seguido do recuar e do agir de forma consciente pode ser a solução”, admitiu.

Saiba mais sobre a Teoria U:

https://www.presencing.com/

https://www.presencing.org/

http://www.ottoscharmer.com/