Tecnologias da informação e comunicação conectam pessoas e conhecimentos

Por Ingrid Vogl

Promover a conexão entre pessoas para o compartilhamento de experiências e conhecimento. Este é um dos desafios da série de Encontros Mensais do Compromisso Campinas pela Educação (CCE) de 2017, que teve início nesta quinta-feira, dia 30 de março, no auditório da Fundação FEAC.

A proposta coincidiu com o tema do evento, que tratou do uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) que aliadas ao aprendizado, promovem aproximação e novas vivências à serviço da educação. Na ocasião, Cláudia Chebabi, gerente do Departamento de Educação da FEAC, lançou a proposta que deve nortear os Encontros Mensais ao longo do ano. “Precisamos planejar alguma forma de conectar as pessoas que participam desses encontros e que possuem experiências em segmentos diversos do mesmo assunto.”, afirmou.

Entre as pessoas presentes que acompanharam o relato de convidados do programa Juventude Conectada, da Prefeitura Municipal de Campinas, e da Escola do Futuro, da Universidade de São Paulo (USP), Geraldo dos Santos Barros, representante da Mozilla Firefox, é um exemplo de que conexões podem oportunizar aprendizado e abrir amplos horizontes profissionais.

Sempre antenado na área de tecnologia, Geraldo teve a oportunidade de ingressar em 2012 no programa Jovem.Com, o atual Juventude Conectada, que tem o objetivo de promover a inclusão digital e social por meio de acesso gratuito à tecnologia da informação e oferecimento de bolsas de formação a jovens.

“Eu nunca havia feito um curso na área, e quando entrei no programa tive a oportunidade de fazer treinamento e desenvolver meu talento. Me encontrei com a tecnologia e com várias habilidades, entre elas, a de ensinar e se comunicar, já que uma das bases do programa é multiplicar conhecimento. O programa foi minha porta de entrada para que eu me profissionalizasse na área e fizesse diversos cursos, aprendesse várias línguas e também a me estabilizar definitivamente na área de tecnologia”, disse Geraldo.

O desenvolvimento de habilidades promovido pelo contato com as TICs citada por Geraldo, foi um dos pontos tratados por Samantha Kutscka, coordenadora de projetos da Escola do Futuro, que esteve presente no evento.

Segundo ela, as habilidades e competências adquiridas ou desenvolvidas com e através do uso de novas tecnologias são chamadas de literacias digitais. Elas são desenvolvidas à medida que vivemos em rede, nos conectamos, produzimos e compartilhamos conteúdo.

Essas habilidades e competências, de acordo com Samantha, podem e devem ser desenvolvidas na escola. Assim, a instituição educacional se contextualiza em seu tempo para exercer seu papel de forma concreta, já que as literacias serão requeridas de seus alunos em um futuro próximo.

De acordo com Samantha, a escola e seus professores precisam mudar a dinâmica do processo de ensino e aprendizagem para o assertivo uso das novas tecnologias. Por mais que a instituição e os docentes adquiram instrumentos como lousas digitais, computadores, tablets, é preciso alterar dinâmicas em sala de aula.

“É necessário ver a tecnologia como linguagem e não como ferramenta e usá-la com criatividade e inovação. Desta maneira, o professor a utiliza para produzir conteúdo e fomentar a produção de conteúdo por parte dos alunos e assim, a escola passa a ser um ambiente transformador: tanto da própria instituição, quanto de alunos e professores”, defendeu.

Juventude Conectada

Ligado à Coordenadoria Setorial de Políticas Públicas para a Juventude, da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Cidadania de Campinas, o programa Juventude Conectada foi apresentado durante o Encontro Mensal por Felipe Gonçalves da Silva, e Isa Speranza Righetto, respectivamente coordenador e pedagoga do programa.

Com foco na inclusão digital e social por meio de acesso gratuito à tecnologia da informação, o Juventude Conectada possui 25 telecentros comunitários que estão em todas as regiões de Campinas. As unidades oferecem acesso livre e gratuito à internet para a população, além de cursos que são oferecidos de acordo com a demanda de cada uma das unidades.

O Programa conta com a formação e atuação de 120 jovens anualmente, que tem de 15 a 29 anos. São ofertadas bolsas pedagógicas e uma grade de formação em cidadania e desenvolvimento pessoal, cultura digital e gestão de telecentros. O objetivo é preparar os bolsistas para atender o público com a realização de oficinas, ao mesmo tempo em que praticam cidadania e se preparam para o mercado de trabalho.

O perfil de atendimento nos telecentros vai desde jovens, moradores de rua, até idosos, que estão em busca de acesso às redes sociais, criação de e-mail e envio de currículos à procura de emprego. Em 2016, o Juventude Conectada teve 26 mil acessos por meio de suas unidades.

Já Samantha trouxe a experiência de projetos desenvolvidos pela Escola do Futuro, como o Acessa SP (http://futuro.usp.br/acessasp/), ainda em curso, e o Bibivirt (http://futuro.usp.br/bibvirt-4/), encerrado em 2006. Na oportunidade, a convidada ressaltou ainda o potencial das tecnologias da informação e comunicação para proximar as pessoas.

Sobre a perspectivas das TICS na educação, frisou a importância do professor ter acesso a formações que permitam o uso criativo da tecnologia como linguagem. “Agora o docente precisa ensinar o aluno a perguntar, não a procurar a resposta. É preciso transformar o professor em um guia, alguém que acompanhe o aluno durante a jornada da construção de seu próprio conhecimento”, afirmou.

O próximo Encontro Mensal do CCE acontece no dia 27 de abril.

Neste ano, os Encontros Mensais serão eventos preparatórios para a 8ª edição da Semana da Educação de Campinas.

Informações: (19) 3794 3512 ou compromissocampinas@feac.org.br

Saiba mais sobre a Escola do Futuro: http://futuro.usp.br/

 Saiba mais sobre o Juventude Conectada: http://www.campinas.sp.gov.br/governo/assistencia-social-seguranca-alimentar/juventude-conectada.php