Mostra Nossa Escola levou boas práticas pedagógicas à Unicamp

Mostra Nossa Escola levou boas práticas pedagógicas à Unicamp

(Por Ingrid Vogl e Laura Gonçalves Sucena)

Divulgar boas práticas inovadoras e criativas de escolas. Este foi o objetivo da Mostra “Nossa Escola” que reuniu trabalhos pedagógicos de 32 escolas públicas e instituições de educação parceiras ou não da Fundação FEAC. A exposição fez parte da programação da 8ª Semana da Educação de Campinas, promovida pelo Compromisso Campinas pela Educação.

Logo no térreo do Ciclo Básico II da Unicamp, onde aconteceu o evento que integrou o Festival de Soluções e Inovações em Educação, os coloridos e chamativos trabalhos se destacavam e atraíam o interesse e curiosidade dos visitantes.

A Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Oziel Alves Pereira inovou e levou não só trabalhos e projetos realizados na escola, mas também um serviço que chamou a atenção e foi muito concorrido: os alunos fizeram tererê no cabelo dos visitantes.  A procura foi tão grande que o grupo criou senhas para atender todos os interessados em ter os coloridos apliques de linhas adornando os fios.

Segundo a professora Adriana Maria Sartori, o aplique de tererês é famoso na escola e faz parte do projeto Africanidades, que tem como alguns dos objetivos discutir questões étnico raciais, o respeito à diversidade e também incentivar o empoderamento dos alunos. “O tererê é um tipo de cabelo africano que alguns professores nos ensinaram a fazer. Ele significa que as mulheres não precisam ter vergonha de suas características diferentes: temos que prender o preconceito e soltar o cabelo”, explicou Érika dos Santos de Jesus, 14 anos e aluna do 8º ano.

Logo ao lado da roda que se formou para a criação dos tererês, uma mesa expunha a bandeja com copinhos plásticos que continham sabão caseiro, fabricado pelos alunos. O produto era entregue aos visitantes interessados juntamente com uma receita de como fazê-lo em casa.

“O sabão é para aproveitar o óleo doméstico já usado, que se jogado fora de maneira errada prejudica o meio ambiente. Então resolvemos fazer o sabão com este produto descartado, que ainda economiza dinheiro. Trouxemos também a armadilha para mosquitos, inclusive o da dengue, que é feita com garrafa pet e um pouco de arroz que ajuda a atrair o inseto para a armadilha”, explicou Érika.

Outro trabalho pedagógico exposto pelos alunos da Emef Oziel foram cadernos pilotos, uma ideia do diretor Aziz Ramos para incentivar os alunos a fazerem a lição de casa. Neles, cada um dos alunos registra dia a dia o conteúdo das aulas. O produto também auxilia o orientador pedagógico da escola a analisar se o planejamento pedagógico está sendo cumprido em sala de aula.

Todos esses trabalhos estão inseridos no grêmio da escola e na Comissão Permanente de Avaliação (CPA), que tem como objetivos estimular o protagonismo do aluno, melhorar o desempenho escolar e ajudar com que crianças e adolescentes se tornem cidadãos integrais.  Segundo a professora Adriana, foram os próprios alunos que se organizaram e decidiram o que iriam levar para a Mostra.

“Foi uma alegria imensa para essas crianças vir até aqui e expor o que eles fazem na escola. Assim, eles se sentem valorizados e isso incentiva ainda mais o engajamento deles no processo de aprendizagem escolar”, afirmou a professora.

Artes e sensações

Duas instituições de educação infantil também fizeram sucesso na Mostra. A Casa da Criança de Sousas e o SPES – Serviço Social da Paróquia São Paulo Apóstolo, parceiras da Fundação FEAC, levaram para o festival os trabalhos de uma exposição de artes realizada pelas crianças e uma mesa de luz, para ser experimentada pelo público.

Para a coordenadora pedagógica da Casa da Criança de Sousas, Glaucia Valente de Sousa, participar da Semana da Educação foi uma oportunidade de mostrar o trabalho realizado na instituição e interagir com outras organizações. “É importante que a comunidade conheça nossos valores e saiba como educamos as crianças. Proporcionamos uma educação de qualidade e buscamos resgatar atividades, trabalhar com a educação infantil enfatizando o brincar”, explicou.

A instituição aposta na utilização de brinquedos não estruturados, que possibilita o desenvolvimento  infantil e dá  oportunidades para as crianças explorarem suas habilidades. Com o uso de materiais como garrafas pets, folhas de árvores, caixas de papelão e muito mais, a criança exercita seu poder de tomar decisões, de expressar sentimentos e de interagir consigo e com o mundo no ato da brincadeira.

Já o SPES aguçou a curiosidade de quem passava pela Mostra com uma mesa de luz, que tem como objetivo despertar o interesse estético das crianças e o desenvolvimento cognitivo. “Na mesa, colocamos diversos materiais para pesquisa e exploração, como tintas, areia colorida, papel celofane, entre outros. Isso chama a atenção das crianças e dos adultos e proporciona novas descobertas”, explicou  Michelly Salomão, orientadora educacional da instituição.

Na instituição, o educador que conduz a atividade encoraja as crianças a discutirem as possibilidades de realização de novos experimentos com o material disponível. “Com a mesa de luz, também é importante que o professor esteja sempre presente, fazendo parte do processo de descoberta da criança, abrindo a mente para novas ideias e novos materiais, não só entendendo, mas vivenciando as linguagens da arte com a criança”, explicou.

Para Michelly, participar da Semana da Educação foi uma oportunidade enriquecedora. “Viemos divulgar nosso trabalho, que é feito com seriedade e comprometimento, e aproveitamos o espaço para compartilhar e trocar experiências. Além disso, foi surpreendente o retorno do pessoal que experimentou a mesa de luz. Todos se surpreenderam e vivenciaram experiências de suas infâncias”, garantiu.

Os estudantes Tiago Alves Lima e Marcele Freitas, que passaram pela Mostra aprovaram a iniciativa da Semana da Educação. “Já passamos pela exposição e está tudo muito bem feito. Adoramos essa mesa de luz. Chamou muita a nossa atenção e é divertido, diferente e interessante”, falaram.

Ecobrinquedoteca

Brincar com tampas, pedaços de tecidos, caixas e bolas. Assim o arquiteto Renato Barboza encantou o pessoal que passou pela vivência em ecobrinquedoteca e ecojogos. “Participar da Semana é atingir um público interessado, que traz um olhar novo sobre o brincar e a infância. Acredito que o trabalho que realizo preenche uma lacuna que formação acadêmica não traz”, ponderou.

No espaço, o arquiteto mostrou como é possível reconhecer e mostrar as potencialidades dos materiais reutilizáveis como recurso para o brincar e a busca da autonomia na construção de brinquedos. “Nossa ideia é recriar jogos e brincadeiras utilizando materiais reciclados. Durante o processo de criação do indivíduo, cada um faz a adaptação de acordo com a sua necessidade”, explicou.

“Muito interessantes as propostas oferecidas nesse espaço. Brincar e jogar com materiais que normalmente descartamos chega a ser um privilégio. Aliás, toda a Mostra está chamando a atenção porque tem muita coisa para ver e saber”, elogiou a estudante Marilize da Silva Carvalho.

Construção de aprendizagem

Maria de Lourdes Amaral, professora de português da EE Professora Conceição Ribeiro, levou para a Mostra o projeto Leitura e Movimento, que envolve todos os 830 alunos do ensino fundamental matriculados na escola.

Segundo a docente, foi formada uma grande rede de leitores na escola incentivada pelos professores. A equipe também preparou uma estrutura que convida à leitura, com uma biblioteca que oferece um acervo de 17 mil livros adequados para todas a faixa etária que envolve o ensino fundamental e também a criação de três ambientes de leitura que, para os alunos, são os cantinhos favoritos na escola.

Aproveitando outras atividades que estavam sendo oferecidas concomitantemente à Mostra “Nossa Escola” durante o Festival Soluções e Inovações em Educação, Maria de Lourdes participou da oficina de artes “Experiências com as belezas naturais” e saiu de lá com novas ideias.

“A oficina trouxe informações inovadoras e ideias interessantes e que me fazem refletir sobre as práticas pedagógicas. Por exemplo, melhor do que impor atividades aos alunos, é deixar que eles criem e construam o que desejam, a partir do tema proposto. Atividades ao ar livre também são atrativas e vão começar a fazer parte das minhas ações na escola”, afirmou a professora.