Escola Lais Bertoni acredita na construção dos valores de convivência

Escola Lais Bertoni acredita na construção dos valores de convivência

 Laura Gonçalves

A primeira impressão quando se chega na Escola Estadual Professora Lais Bertoni Pereira, localizada no Jardim Yeda, em Campinas/SP, é de um lugar onde os jovens têm voz. Os muros pintados com mensagens de liberdade e cidadania mostram que lá o projeto pedagógico estimula valores como cooperação, respeito, comprometimento, inovação e valorização.

Dentro desse contexto, a escola criou o ‘Valores de Convivência’ para compor o plano estratégico escolar. Construído com a participação de alunos, professores, gestores e funcionários, o projeto mobiliza todos os agentes visando a boa convivência e o respeito.

Com o envolvimento de todos foi pensado em como dar vida ao projeto e, desta forma, as ações foram nascendo e surgiu a ideia de grafitar os muros do colégio. “Conversamos com os alunos e eles adoraram. Assim, dividimos as salas em grupos e os temas dos valores a serem trabalhados. Os desenhos foram produzidos em cartazes e os próprios alunos escolheram os dois melhores desenhos de cada sala de aula”, explicou a diretora Maria José Jesus de Lima.

Numa próxima etapa de pré-seleção foi definido os desenhos finalistas e os estudantes responsáveis pelos cartazes participaram de oficinas com o grafiteiro Leandro Kranium. Com oficinas teóricas e práticas, os jovens foram treinando para o dia do grafite nos muros da escola.

“Foi um momento especial de convivência e de cooperação. E isso deu mais uma vez fôlego para uma nova etapa que foi a participação no Prêmio Atitude Educação da Fundação FEAC, no qual fomos vencedores”, falou a coordenadora pedagógica do ensino fundamental, Ângela Raquel dos Santos.

Prêmio Atitude Educação

Na Lais Bertoni, a participação no Prêmio Atitude Educação foi tão enriquecedora que mobilizou toda a escola. “Pudemos mostrar que os valores estão presentes na nossa escola e que estamos unidos, temos um objetivo comum e estamos caminhando para alcançar nossas metas. Este ano já estamos nos mobilizando para novas ideias”, revelou a diretora.

Os alunos também aprovaram o projeto e a participação na premiação. “No começo não sabíamos muito bem como participar, mas todos se uniram, alunos e professores, e fomos pensando no material. O importante é que deixamos claro para todos os alunos que temos esses valores”, enfatizou a aluna Maissa Nascimento, do 3º ano do ensino médio.

As estudantes Caroline Bailte e Lara Pereira de Souza, do 9º ano, também gostaram da experiência. “Foi muito bacana porque pensamos nas filmagens, na direção e nas ideias. Essa comunicação pela imagem foi muito legal mesmo e ficamos ainda mais felizes porque ganhamos e porque mostramos que sabemos fazer, pensar e nos ajudar!”, falaram.

O Prêmio Atitude Educação visa valorizar as ações que tem como objetivo qualificar a educação pública em Campinas. Neste sentido, a iniciativa premiou em 2016 alunos a partir do tema “Alunos Protagonistas. Que diferença vocês fazem?”, reconhecendo coletivos de alunos que desenvolvam projetos que contribuam para a solução de situações/problemas reais de sua escola ou comunidade, ou ainda, que colaborem na aprendizagem dos alunos. Confira os vídeos dos projetos finalistas e vencedores.

Projetos da Escola

Num ambiente constituído por jovens que se relacionam durante horas do dia é normal a existência de conflitos. Assim, outro projeto que ganhou espaço na escola é o Mediação de Conflitos, que tem como objetivo trabalhar a partir dos problemas que surgem nas salas de aula.

Encabeçado pela professora mediadora Marcília Amaral, o projeto funciona como um facilitador de situações de mudanças educacionais na prevenção e resolução de problemas. “A mediação é uma estratégia que se baseia na construção de valores. A tendência, no geral, é o professor não ver o conflito, já que os alunos muitas vezes preferem não revelá-los. Porém, aqui na escola contamos com esse olhar do professor, o que permite a conversa, a mediação. A identificação parte principalmente do professor em sala de aula, sem isso o trabalho não acontece”, explicou.

Quando há uma situação de conflito, as partes são ouvidas. “Primeiro faço um levantamento da situação, chamo todos os envolvidos e fazemos uma roda de conversa. Para chegarmos num resultado, as partes que decidem o que fazer. Eu faço somente a mediação. Temos um espaço comum a todos, então é preciso resolver e ouvir é essencial, por isso acredito que este é um projeto de sucesso”, garantiu Marcília.

Dinamismo

A escola também propõe aos alunos outros projetos que contam com métodos de ensino diferenciado e dinâmico. No ano passado, por exemplo, foi criado o Cultura de Paz aplicado nas classes de ensino fundamental. A ideia era levar aos jovens a percepção de que cada pessoa pode fazer algo importante para mudar o mundo.

“Queríamos mostrar aos adolescentes que a mudança pertence a cada um e isso pode ter início no local em que eles vivem. Escolhemos vários humanistas importantes e os alunos fizeram pesquisas relacionadas à figura humana escolhida, aos líderes de paz que mudaram nossa história”, explicou a coordenadora pedagógica Ângela.

De acordo com a professora de português, Maria Cristina Franceschini, o projeto deu certo porque houve integração dos alunos numa pesquisa grande que se tornou multidisciplinar. “Além de buscar informações sobre os humanistas pesquisados, os estudantes também pesquisaram a vida como um todo. Isso acabou envolvendo disciplinas como história, geografia e outras”, relatou.

Outro projeto multidisciplinar foi o Caça ao Tesouro, destinado a alunos em recuperação intensiva. “Foi uma forma mais atrativa de ensino que acabou abraçando os estudantes, pois eles acabaram saindo da sala de aula para as dinâmicas propostas”, explicou a professora de geografia Elizangela dos Santos.

A ideia foi preparar uma caça ao tesouro no Parque Taquaral. Para isso, os professores foram desenvolvendo com os alunos atividades e estudos para o grande dia da atividade. Numa manhã, todos foram para a lagoa caçar as pistas com perguntas e respostas até encontrarem o tesouro. “A atividade foi muito bem recebida, desde a preparação até o grande dia. Todos os alunos gostaram e aprenderam as matérias de uma forma diferente”, falou a professora.

Os projetos multidisciplinares visam dar dinamismo às aulas integrando diferentes matérias e dando espaço para que alguns temas sejam abordados de uma maneira mais completa. Na escola, os projetos também trouxeram engajamento de professores e estudantes nas iniciativas com o diálogo das disciplinas. De acordo com a coordenadora Ângela, nesse contexto espera-se que os alunos e toda comunidade escolar sejam capazes de se abrirem ao diálogo e às inovações.

Desafios

Para este ano, um dos desafios da escola é colocar em prática os projetos das assembleias e dos grupos colaborativos, ambos idealizados a partir das formações realizadas por meio do projeto FEAC na Escola. Nas assembleias, o objetivo é que os estudantes, professores e equipes gestoras coloquem seus pontos de vista sobre os problemas da escola, solicitem mudanças ou deem sugestões, por meio do diálogo.

Já os grupos colaborativos consistem em um método de ensino diferenciado. “Os grupos são heterogêneos para que eles se tornem colaborativos, é um método de ensino diferenciado para tornar as aulas mais dinâmicas. Está começando de uma maneira tímida, mas acreditamos nessa mudança de postura pedagógica”, garantiu a diretora.

Saiba mais sobre a EE Profª Laís Bertoni Pereira: http://escolalaisbertonipereira.blogspot.com.br/

EE Lais Bertoni