Conheça o lado bom da educação pública brasileira- Pedra Branca (CE)

O cenário da educação no Brasil desanima. Só metade de quem ingressa na escola pública termina o ensino médio. O nível de aprendizagem é baixo: 65% dos alunos de 5º ano não diferenciam formas geométricas, como círculos, triângulos e retângulos, e quase 70% no 3º ano do ensino médio não identificam a informação principal em uma notícia curta. Os índices educacionais nos deixam atrás de Cazaquistão, Albânia e dos vizinhos Uruguai, Argentina e Chile.

Mas a 2ª edição da pesquisa Excelência com Equidade (EE)*, divulgada este mês, revela que existe excelência onde não se espera: há 147 escolas públicas fundamentais dos primeiros anos (1º ao 5º ano) e 31 que incluem os últimos anos (6º ao 9º ano) com nível de aprendizagem superior à média de Canadá e Suíça**.

“Existe um discurso de que alunos de comunidades pobres estão fadados ao fracasso escolar. A EE mostra que isso nem sempre é verdade. Várias escolas conseguem ser excelentes”, declara Denis Mizne, diretor executivo da Fundação Lemann.

“Mais que mostrar que é possível driblar as adversidades, queremos identificar as boas práticas das escolas e mostrar como podem ser replicadas”, explica Ernesto Martins Faria, coordenador da EE.

A SUPER viajou 6.500 km em duas semanas para visitar quatro dessas escolas públicas que estão entre as melhores do Brasil. Com poucos recursos e muito trabalho – compartilhado entre pais, mestres e autoridades -, esses recantos de excelência educacional colecionam lições para semear pelo País.

A escola é uma família

Em Pedra Branca (CE), com pouco mais da metade dos 40 mil habitantes alfabetizados, uma escola se destaca como uma das melhores do país. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) nos anos finais da EEF Miguel Antonio de Lemos é o mais alto das quatro escolas que visitamos: 8.9.

A “escola de Amaral”, como é conhecida, não aparece no GPS. Fica em um sítio a 18 km da cidade, no meio do sertão. Porcos, jumentos e bois rodeiam a escola, e a agricultura local é de subsistência, com vários alunos ajudando os pais – na maioria, não alfabetizados – na lavoura:

Fonte: Revista Super Interessante