Conheça o lado bom da educação pública brasileira – Novo Horizonte (SP)

Conheça o lado bom da educação pública brasileira – Novo Horizonte (SP)

O cenário da educação no Brasil desanima. Só metade de quem ingressa na escola pública termina o ensino médio. O nível de aprendizagem é baixo: 65% dos alunos de 5º ano não diferenciam formas geométricas, como círculos, triângulos e retângulos, e quase 70% no 3º ano do ensino médio não identificam a informação principal em uma notícia curta. Os índices educacionais nos deixam atrás de Cazaquistão, Albânia e dos vizinhos Uruguai, Argentina e Chile.

Mas a 2ª edição da pesquisa Excelência com Equidade (EE)*, divulgada este mês, revela que existe excelência onde não se espera: há 147 escolas públicas fundamentais dos primeiros anos (1º ao 5º ano) e 31 que incluem os últimos anos (6º ao 9º ano) com nível de aprendizagem superior à média de Canadá e Suíça**.

“Existe um discurso de que alunos de comunidades pobres estão fadados ao fracasso escolar. A EE mostra que isso nem sempre é verdade. Várias escolas conseguem ser excelentes”, declara Denis Mizne, diretor executivo da Fundação Lemann.

“Mais que mostrar que é possível driblar as adversidades, queremos identificar as boas práticas das escolas e mostrar como podem ser replicadas”, explica Ernesto Martins Faria, coordenador da EE.

A SUPER viajou 6.500 km em duas semanas para visitar quatro dessas escolas públicas que estão entre as melhores do Brasil. Com poucos recursos e muito trabalho – compartilhado entre pais, mestres e autoridades -, esses recantos de excelência educacional colecionam lições para semear pelo País.

Uma escola não é uma ilha

Até 2007, as escolas de Novo Horizonte, a 410 km de São Paulo, não eram diferentes do estereótipo da escola pública no Brasil: grades nos corredores, cadeiras quebradas, muros pichados, alunos fora das salas e índices de desempenho baixos. A mudança começou quando as escolas passaram das mãos do Estado para as do município.

Um dos pioneiros na mudança foi o colégio Profª Hebe de Almeida Leite Cardoso. Os alunos ocuparam a escola, reduzindo a evasão. Em 2014, nenhum aluno largou a escola – no Brasil, em 2014, cerca de 450 mil alunos deixaram a escola nos anos finais:

Fonte: Revista Super Interessante