Competências socioemocionais apoiam a construção de um ambiente sociomoral justo e respeitoso

Competências socioemocionais apoiam a construção de um ambiente sociomoral justo e respeitoso

Ingrid Vogl

“Estar aqui é a nossa voz de transformação”. A fala decidida de Daniela Carvalho, orientadora pedagógica da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Corrêa de Mello, definiu o anseio do público presente na edição de maio do Encontro Mensal do Compromisso Campinas pela Educação (CCE) na noite da última quinta-feira, 25.

Cerca de 90 participantes do Encontro Mensal lotaram o auditório da Fundação FEAC para refletir junto com a pedagoga Adriana Ramos sobre as competências socioemocionais e a relação com a escola. O evento promoveu um espaço onde os participantes tiveram voz ativa no debate, com questionamentos e dúvidas que foram levantadas ao longo da discussão.

Durante o Encontro, Adriana Ramos abordou o conceito das competências socioemocionais e no que esse tipo de atividade de fato contribui para o desenvolvimento dos alunos. Foi feito um paralelo entre as atividades que estão sendo desenvolvidas na escola atualmente, e uma crítica sobre o porquê, apesar de importante, esse trabalho não é suficiente para a construção de um ambiente sociomoral justo e respeitoso, que forme sujeitos mais autônomos.

“Compreendermos que essas competências são importantes é relevante – é o que defendo,porém não é só uma questão de as desenvolver com exercícios como os autores defendem. É importante que sejam vivenciadas na relação, na convivência e, neste sentido, todo o ambiente sociomoral da escola precisa ser repensado”, afirmou a especialista.

Adriana Ramos ressaltou também que a crítica mais contundente com relação ao desenvolvimento das competências socioemocionais é que apesar do mercado oferecer materiais muito bem elaborados, eles são destinados apenas aos alunos.

“Há uma formação para os professores pontual e reducionista, o que faz com que a escola apenas inclua mais uma matéria sobre o assunto, que pouco transformará as relações. É preciso que exista uma formação contínua para professores, gestores, funcionários, no sentido de formar uma comunidade escolar mais respeitosa, justa e generosa, e que a reflexão sobre este assunto seja coletiva, em um projeto institucional”, defendeu.

Ao longo do debate, a especialista deu vários exemplos de como é possível associar o desenvolvimento das competências socioemocionais em um contexto de real transformação. E chamou a atenção para a necessidade de se repensar as relações entre os membros da comunidade escolar, já que ao invés de autoridade, por exemplo, os educadores muitas vezes exercem o autoritarismo. “Precisamos de professores que sejam modelo de uma comunicação diferente da que existe hoje, em que se exige gentileza, por exemplo, mas não se demonstra isso. É necessário começar a valorizar os alunos de formas diversas”, disse.

Inspiração

Após as considerações de Adriana Ramos sobre as competências socioemocionais, o público presente teve uma ampla participação no debate, o que enriqueceu a reflexão sobre como as competências podem ser desenvolvidas; até que ponto elas favorecem um ambiente sociomoral na escola e o que é preciso mudar nas relações interpessoais.
A pedagoga Debora de Alcântara, acompanhou atenta o debate, que a todo momento remeteu à criança e adolescente como protagonista e participante dos espaços de discussões no ambiente escolar.

“O que a Adriana trouxe foi uma proposta que vai além da escola e perpassa todos os ambientes em que crianças e adolescentes estejam envolvidos. Saio daqui hoje repensando minhas práticas e inspirada pela ideia de ampliar a questão de dar vez e voz à criança. Sinto que podemos fazer algo melhor e diferente. Foi enriquecedor”, concluiu.
O próximo Encontro Mensal acontece no dia 29 de junho e terá como tema a inovação na educação.

Confira o conteúdo das apresentações feitas no Encontro Mensal de 2017: http://compromissocampinas.org.br/encontro-mensal/